Havia um livro sobre a cama
A mesma cama
Os mesmos lençóis
As mesmas manchas
Mas o livro já não estava aberto na página
que sempre
Naquele dia o sol brilhava
(e já eram seis e sete da manhã)
quando sobre a segunda página:
“espero que te seja sempre primeiro olhar”
E eu também senti quando tocou-te as margens
É claro que o livro estava inerte
E há muito havia desistido dos lençóis
sobre a cama
Só o que restou-te foi a pele
A pele que sempre se abre:
cada poro é um abismo que lembra o fogo
Pego uma câmera e registro o momento
exato
da explosão de uma estrela
Você sorria
através da flecha que te cega o que é quase-eterno
E ali toda a história do comportamento humano
quando se deslumbra diante do assombro
entre uma coisa e outra
Teu livro está aberto na sua página de ontem
Não esqueças querido
de acender-te luz ao sair por favor