Antes da palavra: o vento daquela tarde
A menina aprendeu que não se corre atrás do tempo

— Abre-te fresta no corpo

Pequenos portais fincados entre a memória e a luz
Como aquele na tua perna esquerda Uma cicatriz de 
vinte e nove anos fechada às margens do verão

As imagens tropeçam nos degraus da cozinha:
Paredes amarelas
Portão de ferrugem
Alho e cebola

— Cadê a minha mãe?

E ela está morta no meio do livro por exatas duas eras
de uma estrela esquecida 

O coagulograma aposta que em quatorze segundos
o pequeno sangramento não estará mais entre nós

E quem estará