Balbuciam as estrelas os primeiros murmúrios
mudos Colocar os ouvidos humanos em escuta
É mais ou menos como fechar os olhos
É mais ou menos como abrir um livro antigo
escrito num idioma que não existe mais
E eu te devoro diante do enigma sagrado da
órbita Porque é sempre É sempre uma questão de
tempo sentir o tremor vindo de dentro
e imaginar o verve da ação de brilhar
O sussurro primordial na verdade foi um grito
de amor Ou uma gargalhada de cansar o fôlego
e faltar o ar Ele precisa sim passar pelos pulmões
E quem é que soprou o primeiro sopro se a mão
que segura o fogo é de ninguém
Riscar o fósforo e acender a vela e defumar o
alecrim quando me lembro corpo em direção
às raízes procurando destino certo E me lembro
pássaros nas tuas pupilas pedindo voos
As estrelas balbuciam e dançam
Todo mundo reconhece aquela língua que lambe
a seiva da terra-astral que fala uma única palavra:
céu